Os 50 anos do VW Golf: As Três Letras Mágicas!

Ao apresentar o Golf em 1974, a Volkswagen mudou radicalmente a sua estratégia e propõe um automóvel resolutamente moderno rompendo com a monocultura do motor traseiro, a regra de ouro até então. No entanto, se a novidade é apreciada por todos, falta_lhe aquela versão desportiva que realmente faça a diferença. O que é certo é que a versão desportiva do Golf teve quase para nunca acontecer, tal foi a hesitação da administração da Volkswagen em assumir o projeto.

Quando é apresentado em 1974, o Golf não é apenas uma renovação da marca, mas sim uma revolução. O automóvel conquista rapidamente o público , muito ajudado pelas linhas modernas assinadas por Giugiaro e pelas suas versões de três ou cinco portas.

Aquando o seu desenvolvimento, os engenheiros da Volkswagen notam a boa rigidez da carroçaria do Golf, o que deixa caminho aberto às versões desportivas. Isto faz com que Alfons Löwenberg e alguns engenheiros apaixonados pelo desporto automóvel comecem a trabalhar num projeto de Golf desportivo nos seus tempos livres.

Conhecido internamente como o “Sport Golf”, este grupo de engenheiros propõe à direção uma versão vitaminada destinada a um público mais jovem. Esta proposta foi entretanto recusada por uma equipa de dirigentes ainda preocupada com o impacto da crise energética.

Tal não desmotivou Löwenberg e os seus acólitos que continuaram a trabalhar em segredo num Golf mais musculado. Os rumores começaram a espalhar-se em torno deste Golf no centro de testes da Volkswagen. Löwenberg convenceu outras pessoas internamente, incluindo Ferdinand Piëch, um aliado de peso.

O então neto de Ferdinand Porsche e dirigente da Audi, decide ajudá-los e disponibiliza 5000 motores 1.6 injeção, com 110 cv que equipava o Audi 80 GTE. Agora era necessário convencer os patrões da viabilidade do projeto.

Pela força da persuasão, Löwenberg consegue finalmente seduzir a direcção da Volkswagen ao mostrar-lhes que este projecto não custa muito a industrializar: uma sólida carroçaria já existente que não necessita de modificações significativas, um motor retirado do banco de órgãos do grupo e alguns artifícios estéticos para reforçar o lado desportivo do modelo, e pronto, está apto para conquistar o mercado.

Para finalizar o projeto só falta encontrar um nome para o mesmo. Este último ponto é o apanágio do marketing, a denominação nome “Sport Golf” é considerada demasiado banal, sendo abandonada em favor da sigla GTI, para “Grand Tourism Injection”.

Considerado pela marca como um modelo de nicho, esta prevê o lançamento de uma série de 5000 unidades. Apresentado oficialmente no Salão Automóvel de Frankfurt de 1975, o Golf GTI faz furor.

O GTI não é apenas um Golf com um motor vitaminado, mas um modelo por si só. Viril mas sem ser ostensivo, este é quase banal na sua aparência, mas não deixa de ser um autêntico desportivo com os seus 110 cv para apenas 800 kg de peso e uma velocidade máxima de 185 Km/h.

O seu temperamento assertivo será a seu ponto forte, mas aquele que muito rapidamente iria se estabelecer como um fenómeno de popularidade possui muitas outras vantagens, tais como, a sua versatilidade, o seu consumo razoável ou a sua carroçaria de bi-corpo cada vez mais em sintonia com os gostos do público. Em suma, o Volkswagen Golf GTI junta o útil ao agradável.

No que à estética diz respeito, a Volkswagen optou simplesmente por acrescentar-lhe alguns detalhes para reforçar o seu visual desportivo, tais como: uma grelha frontal composta de faróis duplos ornamentada por uma lista vermelha, umas cavas das rodas mais largas, uns pára-choques pintados de preto mate e pouco mais.

O interior é característico de um automóvel alemão, ou seja, simples mas funcional. O Golf GTI era facilmente reconhecível pelo tecido axedrezado do tipo escocês que revestia os bancos dando alguma cor ao interior e pela bola de golfe no manípulo da caixa de velocidades. o que muitos associaram ao facto do modelo denominar-se “Golf”. Pois bem desenganem-se.

O nome Golf nada tem a ver com essa modalidade desportiva. Por esta altura a marca alemã decidiu batizar os seus modelos com nomes de ventos, como já tinha acontecido com o Passat, o Scirocco e agora o Golf.

Previsto à partida como uma série limitada de 5 mil unidades, o Golf GTI foi tão bem recebido pelo público que entrou no catálogo da marca no início do ano seguinte, e aí se manterá ao longo das oito gerações, totalizando mais de 2 milhões de unidades produzidas até hoje. Três letras mágicas!

Vive a Tua paixão!

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