Se a Mercedes e a Peugeot foram as pioneiras na introdução do motor diesel nos automóveis de passageiros. Podemos dizer que foi a Volkswagen que reinventou tecnologicamente este tipo de motorização com a tecnologia TDI. O Golf foi dos primeiros compacto a receber um motor diesel, contando com este tipo de motorização desde a primeira geração. Uma verdadeira história de sucesso que se mantém até aos dias de hoje.
Após a crise energética no final de 1973, as vendas de automóveis a gasóleo começaram a disparar, ainda muito concentradas em modelos familiares, equipados com motores com cilindradas mais elevadas. Num mercado dominado pela Mercedes-Benz, a Peugeot por seu lado inova ao desenvolver um motor de apenas 1.3 de cilindrada com 45 cv.

No final de 1976, é a vez da Volkswagen a apresentar o seu Golf com motor diesel. Tal como a Peugeot o tinha feito, a marca alemã vai modificar o seu motor a gasolina para transformá-lo num motor diesel. O que simplificou a sua construção e permitiu a diminuição do seu preço de custo.
Para isso, a Volkswagen vai escolher o motor com 1471 cm3 que considerava suficientemente resistente. Inédito na época, este motor com 50 cv foi o primeiro motor diesel a oferecer praticamente o comportamento de um motor a gasolina. Era mais rápido a arrancar a frio, era suficientemente potente e reactivo ao acelerar. A velocidade deste Golf 1500 D era mesmo superior ao do 1100 movido a gasolina.

No final de 1982, o Golf D era secundado por uma versão turboalimentada desenvolvida pela Audi. Denominada GTD, esta versão turbo diesel tornar-se-ia no GTI dos motores diesel oferecendo uma aceleração e uma resposta mais vivas do que as de um motor a gasolina equivalente, com um consumo 30% inferior.

Com a chegada do Golf II a marca alemã continuou a utilizar as mesmas mecânicas, aproveitando a popularidade do diesel, cujas vendas aumentavam constantemente. O seu sucesso gerou preços muito excessivos. Era preciso percorrer muitos quilómetros para compensar a diferença de preços para com as versões a gasolina.

Quando a terceira geração do Golf foi lançada, chega com ela uma nova revolução – a injeção direta, que a Audi mais uma vez, foi uma das pioneiras a desenvolver. Nasce assim o TDI (Turbocharged Direct Injection) que anunciava agora 90 cv e faria as delícias do Grupo Volkswagen, dando-lhe uma enorme vantagem sobre a concorrência na altura.

Chegado o ano de 1998, segue-se o Golf IV e com ele uma nova geração de motores diesel com bombas injetoras, melhorando consideravelmente a pressão de injeção. O motor TDI passa a contar com três potências, 90, 110 e 150 cv. Estas identificam-se com a sigla TDI a tornar-se vermelha consoante a potência, I para versão de 90 cv, DI para 110 e TDI para 150 cv. Equipado com uma caixa de 6 velocidades de série, o Golf TDI de 150 cv atingia os 216 km/h!

Um novo motor de 2 litros permitiu ao Golf V aumentar a potência do TDI para 170 cv em 2005. Considerado o combustível do futuro em meados dos anos 80, os motores a gasóleo têm vindo nestes últimos anos a ganhar má fama por libertarem muitas partículas prejudiciais para os nossos pequenos “pulmões”.
Pelo que a Volkswagen em vez de aumentar a potência nos sucessivos Golf a diesel, tem-se concentrado principalmente em reduzir as suas emissões de CO2 e de NOx.

A última geração do compacto alemão propõe atualmente três motorizações diesel que variam entre os 116 e os 200 cv. Este último com um binário de 400 Nm acoplado a uma caixa de velocidades DSG de 7 velocidades atinge os 245 km/h com um consumo combinado de apenas 4,4 l. Infelizmente, a quota de mercado do gasóleo na Europa continua a diminuir de ano para ano, pelo que o recentemente remodelado Golf 8 GTD será certamente o último diesel antes que o elétrico o substitua completamente. Ou talvez não, como se costuma dizer “nunca digas nunca”…
