Citroën CX : O Último dos Citroën?

Apresentado em 1974, o Citroën CX tinha a difícil tarefa de substituir o veterano DS, ocupando a posição deste na gama, intercalando-se entre o moderno Citroën GS e o exclusivo SM. Muitas vezes apontado pelos entusiastas como o último dos Citroën, o CX foi o último projeto sem a influência da Peugeot. Pelo que sofreu com as dificuldades financeiras com que a marca se debateu no início da década de 70, o que condicionou o seu desenvolvimento. Apesar de tudo, como vamos comprovar mais adiante o CX foi mais bem sucedido do que seria suposto.

A Génese

A gama de modelos da marca aos “chevrons” sempre se caracterizou muito resumindo-se ao modesto Citroën 2cv e os seus derivados como o Ami 6 acompanhados do topo de gama DS. Para colmatar tal vazio é apresentado o Citroën GS. Mas tal não chega, pois apesar das vendas ainda não abrandarem o Citroën DS conta já com 15 anos e precisa de ser substituído.

A Citroën elabora um plano estratégico para a sua substituição que consistia na apresentação de dois modelos. As versões base do DS pelo futuro CX (projeto L), e as versões mais luxuosas com a criação de uma versão 4 portas do mais recente Citroën SM.

Mas com a crise petrolífera a anunciar-se e a saúde financeira a degradar-se, o proprietário Michelin não está disposto a fazer importantes investimentos. Pelo que a marca francesa vê-se obrigada a renunciar ao plano original, passando agora o projeto L a assumir sozinho a substituição do veterano DS.

Posto isto, cabe ao Robert Opron e a sua equipa o desenvolvimento do design do novo modelo. Buscando subtis alianças entre o GS e o SM, o primeiro protótipo foi apresentado à direção da empresa em 1971, o que marca o início de um processo de aperfeiçoamento do modelo e das suas soluções técnicas que foram sendo gradualmente validadas.

O motor, um eterno problema

Imaginado inicialmente para utilizar um motor boxer de 4 cilindros, o Citroën CX foi concebido a contar também com um motor Wankel para as suas versões mais potentes. Motores em que a Citroën tinha apostado e investido grande parte dos fundos, mas que afinal não iriam resultar em nada de concreto. O que claro, atrasou e fragilizou o projeto.

Ainda se pensou em recorrer ao motor V6 do Citroën SM, mas tal revelou-se impossível. Pois tendo sido inicialmente concebido para albergar motores Wankel de reduzidas dimensões, o compartimento motor era demasiado pequeno para albergar tal motorização.

Uma vez mais, a marca aos chevrons não teve outro remédio que reutilizar os motores já existentes. Tal como tinha acontecido com o DS a recuperar as motorizações do Traction Avant, agora é a vez do DS de ceder os seus motores ao Citroën CX.

Assim sendo, o Citroën CX surge no mercado com duas motorizações de 2 e 2,2 litros com 102 e 112 cv respectivamente.

Apresentado no ano de 1974, o CX é o último desenvolvido pela Citroën, pois o ano da sua apresentação coincide com a venda da marca à Peugeot. Pelo que o Citroën CX atrai a atenção e da imprensa especializada, sendo de imediato reconhecido como um automóvel inovador de acordo com a tradição da marca francesa.

Esteticamente o desafio era enorme, pois o seu antecessor tinha um estilo inimitável. Pelo que as expectativas eram enormes, o futuro modelo teria que ter um estilo marcante.

Robert Opron e a sua equipa, conseguem criar um estilo único que alia uma identidade elegante e aerodinâmica. O vidro traseiro côncavo, torná-lo-á imediatamente reconhecível.

Para além das suas linhas aerodinâmicas, realçadas pela sua denominação CX, também o interior foi objeto de um estudo aprofundado. O painel de instrumentos com os mostradores em forma de lunula do CX, são sem dúvida uma das suas características mais emblemáticas.

A ergonomia interior também não foi esquecida. Destaque para o posicionamento dos principais comandos, como os piscas, os faróis ou a buzina que estão ao alcance do condutor sem que este tenha de tirar as mãos do volante ao accionà-los.

No que a soluções técnicas diz respeito, o Citroën CX herdou dos seus antecessores a suspensão hidropneumàtica e o sistema de travagem de disco de duplo circuito.

Mas o novo CX inova ao colocar o motor numa posição transversal e inclinado para a frente, o que beneficia a aderência à estrada e uma melhor distribuição do peso.

As suas qualidades não passaram despercebidas à imprensa automóvel europeia, que recompensou o Citroën CX  atribuindo-lhe o troféu de “Carro do Ano” em 1975. Mas não só, também o público o recompensou com mais de 100 mil unidades vendidas no primeiro ano de comercialização, inédito para o construtor francês.

Com o novo proprietário a ter outros representantes no segmento das grandes berlinas, o desenvolvimento do CX foi de certa forma penalizado. Tal não impediu a marca aos “chevrons” de ir dotando o seu modelo das mais variadas inovações tecnológicas ao longo dos anos. Entre elas, a direção assistida diravi, o sistema de travagem ABS e o motor diesel com turbo compressor.

 

As versões do Citroën CX

Em janeiro de 1976, a gama do CX é alargada com a apresentação de uma versão Break, cuja lotação podia chegar aos 8 lugares. Com um volume de carga de 2,03 m3 esta versão, esta versão adaptava-se perfeitamente a um uso profissional com a particularidade de guardar as qualidades dinâmicas da berlina.

Desde cedo, a Citroën confirma a sua intenção de colocar o CX como o automóvel capaz de conferir ao motor diesel as suas credenciais mais nobres, introduzindo versões diesel desde o primeiro ano de comercialização. Atingindo a sua expressão máxima quando em 1987, o Citroën CX recebe o novo motor 2.5 turbo com 120 cv,  capaz de alcançar a velocidade máxima de 195 Km/h — o automóvel diesel mais rápido do mundo.

Tal como o seu antecessor, o Citroën CX soube conquistar os grandes empresários e personalidades políticas que apreciavam a sua elegância, conforto e segurança. Nesse mesmo ano, a Citroën decidiu agradar estes importantes clientes apresentando o CX Prestige. Utilizando a base técnica da versão Break mais comprida de 25 cm, este oferecia mais espaço para os bancos traseiros e um equipamento mais completo.

Sendo designado como o sucessor do Citroën DS, foi preciso esperar até ao ano de 1977, para que a marca francesa dote o CX de uma versão com prestações dignas das versões injeção do seu antecessor, com a apresentação do CX GTI de 128 cv. Esta versão vai evoluindo até atingir o seu expoente máximo em 1986 com o Citroën CX GTI Turbo 2, capaz de atingir os 223 Km/h de velocidade máxima.

O Rei Africano

Uma vez mais o Citroën CX iria, como já tinha acontecido com o DS, usufruir de uma bela carreira no desporto automóvel, mais propriamente na disciplina de ralis. Graças às suas características particulares o CX revelou-se excelente nos ralis e raids africanos.

Estreou-se apenas 14 meses após a sua apresentação em Paris, no Rali-Raid Adidijan – Nice. 

Rali de Marrocos, Rali Transafrica e Rali Paris – Dakar, o Citroën CX coleciona lugares de honra e vitórias face a automóveis muito mais potentes. Uma das suas maiores proezas foi em 1977 aquando a sua participação no Rali do Senegal, eram 30 carros à partida e apenas 7 à chegada, dos quais o top 5 exclusivo dos Citroën CX.

Outra prova em que o CX teve uma participação de relevo, foi na maratona Londres – Sidney em que venceu o troféu de melhor construtor.

Citroën CX Serie 2

Em resposta a uma concorrência cada vez mais aguerrida, a marca francesa apresenta em julho de 1985 o Citroën CX serie 2. Este facelit moderniza o porta estandarte francês, os pára-choques passam a ser em plástico, mudando também o painel de instrumentos que substitui os característicos mostradores em lunula por mostradores convencionais analógicos.

A produção das versões berlina do Citroën CX termina em 1989 com o surgimento do seu sucessor, o Citroën XM. As versões Break por sua vez continuariam a sua produção até janeiro de 1991.

Entre 1974 e 1991, fabricaram-se mais de 1 milhão de unidades, com um pico de vendas atingido no ano de 1979. Nada mau para aquele que muitos consideraram não estar à altura de substituir o icónico citroën DS.

Vive a tua paixão!

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