Honda Transalp : O Regresso de um ícone !

Comercializado desde alguns meses, coube-me agora testar o trail XL 750. Desde há algum tempo a Honda decidiu ir recuperar o nome de modelos emblemáticos para batizar a sua gama atual. Tal como aconteceu em 2022 quando a marca recuperou o nome Hornet para batizar o seu roadster de média cilindrada. A marca nipónica voltou a utilizar a mesma fórmula ganhadora ao reescrever a história daquele que foi um dos “Trail” de maior sucesso no velho continente – de seu nome Transalp.

Honda XL 600 V Transalp

Depois de vários anos de ausência no mercado, a Honda Transalp regressa assumindo tal como as suas antepassadas a polivalência como característica principal. Que tal revisitarmos a sua história antes de vos apresentar a nova geração.

Estamos em meados dos anos 80, por esta altura o mercado das motas de cariz “off road”era dominado por modelos equipados com motores monocilíndricos muito eficazes, mas pouco polivalentes.

A Honda que já possuía a Dominator na sua gama, decide então em 1987 apresentar um modelo dotado de um dois cilindros em V para oferecer uma proposta menos focada nas aventuras fora do asfalto e mais polivalente. Para isso escolhe um nome inspirado numa prova realizada nos Alpes europeus organizada pela marca. Nasce assim a Transalp.

Nesta primeira geração a Honda optou por um motor de 583 cm3 em V que disponibilizava 50 cv. Intercalando-se entre a Dominator e a Africa Twin na gama da marca japonesa, este novo modelo vai conquistando muitos adeptos.

Honda XL650 V Transalp

Com o passar do tempo, a Honda Transalp 600 V vai recebendo várias evoluções até ao virar do milénio em que surge a segunda geração. Denominando-se agora de XL 650 V, e tal como o nome indica esta recebe o novo motor de 650 cm3 partilhado com a opção “Touring” da gama, a NT Deauville.

A Honda Transalp ganha assim 5 cv suplementares e 0,3 Nm de binário. Esta segunda geração acabará por afastar-se mais do conceito fora de estrada.

Com a chegada do ano de 2007, dá-se aquela que foi a maior renovação do modelo. A nova XL 700 metamorfosa-se numa nova geração reinventada.

Honda XL 700 V Transalp

Equipada com um novo motor mais moderno e mais amigo do ambiente, a XL 700 V Transalp viu o seu design completamente atualizado. Agora mais agressivo e até futurista. Destaque para os faróis redondos em contraste com as ópticas quadradas e rectângulares das gerações anteriores.

Contudo a Honda Transalp abandona gama da marca nipónica em 2012, acabando por ser substituída pela NC 700 de uma moto de vocação mais estradista.

O regresso

Pouco mais de uma década depois, a Honda regressa com a nova XL 750 Transalp. Construída com base na plataforma da CB 750 Hornet, a Transalp de nova geração partilha igualmente com esta o vibrante motor de 750 cm3.

Uma vez mais, a Transalp vem completar a gama trail do construtor intercalando-se entre a já conhecida Africa Twin 1100 e a mais recente NX 500.

A descoberta

Antes de entrar em ação comecemos pela estética desta nova Transalp. Se bem que a XL 600V de primeira geração marcou a sua época pela sua elegância, o primeiro contacto visual com esta nova Transalp é claro. Esta não se envergonha da sua ascendência, pelo contrário assume-a sem complexos. Talvez não seja alheio o facto de me terem emprestado a versão tri-color, uma clara homenagem à Transalp de 1987.

A Transalp 750 revela-se uma moto compacta com uma fisionomia sóbria e muito fluida (talvez em demasia para muitos). O farol dianteiro é o da Hornet, um claro aproveitamento de recursos, assim como, os comutadores e comandos. O que reforça o sentimento de pertença à restante gama da marca nipónica.

Um Trail bem equipado

Como já é costume a Honda sabe cuidar dos seus clientes com o equipamento oferecido pela Transalp. Um ecrã TFT de 5” personalizável acompanhado pelo sistema de controlo de voz da Honda que permite gerir as chamadas, as mensagens, assim como o sistema de navegação do nosso telemóvel. A Transalp dispõe ainda de 5 modos de condução (Standard, Sport, Rain, Gravel e User) que permitem adoptar os níveis de entrega da potência, travão motor e controlo de tracção da nossa Transalp às mais variadas situações.

Aos comandos

Desde os primeiros instantes aos seus comandos, o conforto e ergonomia que a Transalp nos proporciona agradou-me bastante. Do alto dos seus 850 milímetros de altura ao solo do assento, a posição de condução é muito boa, as costas estão direitas e as pernas não estão demasiado dobradas. Com 1,75 metros de altura consigo chegar com os pés ao chão com alguma facilidade. Outro aspecto importante para o conforto de condução, é a proteção ao vento, devo dizer que a Honda Transalp passa o teste sem problemas, protegendo-me eficazmente das desagradáveis turbulências.

Assumindo plenamente as suas origens a nova Transalp propõe a cor Ross White tal como a primeira geração.

A XL 750 recupera a plataforma da Hornet 750 reforçada para uma utilização Off-Road, assim como o seu motor. O que me leva a falar de um dos pontos chave desta moto, pois este bilcilíndrico japonês é sem dúvida um dos melhores da categoria.

Com a cambota desfasada a 270 graus, os 755 cm3 debitam 91,8 cv e uns expressivos 75 Nm de binário às 7250 rpm. Como esperado, com este motor a Transalp mostra-se viva e sempre disponível a responder às solicitações do condutor.

A Transalp 750 no seu conjunto é uma moto altamente previsível nas suas reações, o que nos dá confiança e vem de encontro ao que nos foi dito pela marca — “versatilidade confortável e prática, aliadas a uma performance excitante”.

Seguramente tal não é alheio à ciclistica proposta. Tendo optado por suspensões invertidas da Showa reguladas com uma afinação vocacionada para um turismo assertivo, sem no entanto esquecer o dinamismo. Para facilitar a utilização em fora de estrada a Honda escolheu uma jante de 21” para a roda dianteira e jante de 18” para a traseira calçadas com pneus da marca Metzeler, que por sinal são eficazes.

A nova Transalp está disponível na cor Matte black Metallic

Destaque ainda para o “Quick-Shifter” proposto como opcional que primou com um funcionamento muito suave e irrepreensível. Uma das opções que considero obrigatória pelo conforto proporcionado quando nos apetecer passar as mudanças sem o recurso à embraiagem.

Outra das cores disponíveis é a Mate Grey Mettalic

E fora de estrada…

Bem sei que a vocação de um trail é para fazer trajectos off-road, também é verdade que mais de metade dos clientes para este tipo de motos vão ficar-se por estradas alcatroadas. Neste breve contacto foi-me de todo impossível explorar as suas capacidades todo-o-terreno, ficará para uma próxima oportunidade.

Conclusão

Poderá a Honda XL 750 Transalp vingar neste competitivo segmento de média cilindrada?

A marca nipónica propõe um produto honesto com um preço base de 10700 €, bastante atrativo e alinhado com os principais concorrentes.

A nova XL 750 é sem dúvida uma digna herdeira do espírito Transalp, uma moto versátil, muito competente capaz de nos levar para todo o lado, ótima para todos aqueles que pretendem iniciar-se no mundo das duas rodas.

Para os mais experimentados, por detrás da sua imagem considerada por muitos demasiado consensual, a Honda Transalp é a que propõe um dos melhores e mais potente motor do segmento, proporcionando generosas sensações.

Pelo que do ponto de vista de um entusiasta sem pretensões, considero que esta nova Honda Transalp pode vingar e é uma forte opção a ter em conta.

Até breve para mais aventuras…😎

Vive a tua paixão!

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